'A Noiva!' reimagina clássico de 'Frankenstein' de forma ousada e intensa; g1 já viu

  • 05/03/2026
(Foto: Reprodução)
"A Noiva de Frankenstein", de 1935, sequência do clássico "Frankenstein" (1931), com Boris Karloff, é uma das obras mais cultuadas do gênero de terror e já foi recriada de diferentes formas ao longo dos anos. Mas provavelmente nenhuma delas foi feita de maneira tão inusitada ou intensa quanto "A Noiva!", que estreia nos cinemas nesta quinta-feira (5). A produção busca trazer uma releitura bem radical da história, inserindo questões e reflexões bastante atuais sobre o papel das mulheres na sociedade, além de prestar homenagens ao cinema com citações de obras clássicas de diversos gêneros. Tudo isso com uma direção afiada e um elenco sensacional, com atores que seguram bem a ousada proposta. Ambientada na década de 1930, a trama mostra a criatura de Frankenstein (Christian Bale), ou Frank, como gosta de ser chamado, chegando a Chicago para encontrar a Dra. Euphronious (Annette Bening). Ele deseja que a cientista realize o mesmo procedimento que o criou para lhe dar uma companheira, já que ele está cansado de viver sozinho. Os dois encontram o corpo de uma mulher assassinada e ela ressuscita como "a noiva" (Jessie Buckley, de "Hamnet"). Assista ao trailer do filme "A Noiva!" A moça desperta sem se lembrar de quem é, mas logo mostra um temperamento explosivo e inquieto. Ao lado de Frank, ela passa por diversas situações que logo chamam a atenção da polícia e de pessoas que podem estar ligadas ao seu passado. Enquanto vive um romance intenso ao lado de seu parceiro, ela busca respostas, ao mesmo tempo que inspira outras mulheres a iniciar um movimento para conquistar mais respeito na sociedade. Poder feminino "A Noiva!" não é, ao contrário do filme que a inspirou, uma obra de terror. Ela bebe mais em outros gêneros como drama, o thriller policial e até mesmo nos musicais antigos. O longa tem muita experimentação para um filme produzido por um grande estúdio. Assim, temos cenas em preto e branco misturadas com sequências coloridas, diálogos longos e profundos, uma violência perturbadora e personagens bastante densos. O mérito de tudo isso é de Maggie Gyllenhaal. Mais conhecida por seus papéis como atriz em filmes como "Batman: O Cavaleiro das Trevas" (2008) e "Coração Louco" (2009), Gyllenhaal estreou na direção com "A Filha Perdida" (2021) e "A Noiva!" é seu segundo trabalho como cineasta. Ela demonstra firmeza ao dirigir e escrever o roteiro de seu longa, causando impacto não apenas com suas imagens fortes, mas também ao levar o público a refletir sobre como as mulheres são tratadas, seja no passado ou no presente. A Noiva (Jessie Buckley) aponta uma arma durante uma confusão no filme "A Noiva!" Divulgação Um bom exemplo disso é como a protagonista busca encontrar justiça para si mesma e para outras mulheres em diversos momentos do filme. Ela chega até a citar, no meio de uma cena tensa, o movimento "Me Too", que surgiu nos Estados Unidos quando estourou o escândalo envolvendo o produtor de cinema Harvey Weinstein, que abusou de diversas atrizes. Além disso, é interessante como Gyllenhaal trabalha o machismo através da personagem de Penélope Cruz, que vive Myrna Mallow, uma investigadora que fica no encalço do casal principal. Embora inteligente, Myrna é constantemente ignorada ou rebaixada por outros homens, como seu parceiro, o policial Jake Wiles (Peter Sarsgaard), e tem que mostrar sempre seu valor para ser considerada. Algo que ainda acontece hoje, infelizmente. Romance monstruoso Mas "A Noiva!" não é apenas um filme que busca discutir questões femininas. A obra também homenageia produções que marcaram o cinema, como os musicais de Fred Astaire (que inspira o personagem interpretado pelo irmão da diretora, Jake Gyllenhaal), o filme de assalto "Bonnie e Clyde: Uma Rajada de Balas" (1967) e até mesmo "O Jovem Frankenstein" (1974). A comédia de Mel Brooks, aliás, inspira o momento mais divertido do filme. O espectador mais atento vai perceber as referências. Christian Bale e Jessie Buckley estrelam o filme 'A Noiva!' Divulgação Outro elemento de destaque no filme é como a diretora conta a história dos protagonistas. Ao contrário de outras versões da criatura de Frankenstein e sua prometida, aqui há uma preocupação em desenvolver a relação dos dois, que começam com certo estranhamento e que vão mudando seus sentimentos à medida que a trama avança. Assim, o público compra a ideia de que o romance que surge entre eles é verdadeiro. É nessa parte que se destaca o talento de Christian Bale. O ator, que já tinha contracenado com Gyllenhaal em "Batman: O Cavaleiro das Trevas", convence como uma criatura que se descobre apaixonado pela sua companheira e disposto a tudo para viver esse amor. Debaixo de uma pesada e convincente maquiagem, Bale transmite de forma exemplar os sentimentos que vão além do que esperava sentir pela Noiva. Mas não é só Bale que brilha em termos de atuação no filme. Jessie Buckley, com um visual bastante inusitado, mostra que está numa ótima fase de sua carreira e, após emocionar o mundo como a Agnes Shakespeare de "Hamnet", impressiona com um papel totalmente inverso. Ela demonstra ter grande vigor em interpretar não só a personagem-título, como Mary Shelley, que escreveu o livro "Frankenstein", e que intervém em alguns momentos da história. Frank (Christian Bale) e A Noiva (Jessie Buckley) dançam numa cena de 'A Noiva!' Divulgação Buckley também chama a atenção por dar conta de textos bastante longos e densos ditos por sua personagem em várias cenas. Além de emocionar nas cenas mais emotivas, em especial no terço final do filme. Já Annette Bening e Peter Sarsgaard estão funcionais no seu papéis e Penélope Cruz volta a esbanjar carisma. Com uma boa fotografia assinada por Lawrence Sher e uma interessante trilha sonora de Hildur Gudnadóttir (ambos de "Coringa"), "A Noiva!" pode até desagradar parte do público porque sua proposta, além de ousada, nem sempre é fácil de compreender. Mas quem conseguir se envolver com essa experiência pode se sentir recompensado ao final da sessão. Afinal, como diz a própria Mary Shelley numa cena do filme, mais assustadora que uma história de terror pode ser uma história de amor. Atenção para uma cena que rola durante os créditos. Quem ficar para assistir não vai se arrepender. Cartela resenha crítica g1 Arte/g1

FONTE: https://g1.globo.com/pop-arte/g1-ja-viu/noticia/2026/03/05/a-noiva-reimagina-classico-de-frankenstein-de-forma-ousada-e-intensa-g1-ja-viu.ghtml


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